domingo, 10 de outubro de 2010

A contabilidade nas operações rurais

Nem todas as pessoas têm uma compreensão exata de como a contabilidade se insere no mundo dos negócios. Entretanto, é uma necessidade imperiosa para quem exerce alguma atividade, seja comercial, industrial, bancária, de serviços, agrícola ou qualquer outra. Ao contrário do que muitos empresários pensam, contabilidade não é luxo nem é burocracia: é uma necessidade para qualquer empreendimento. No setor agro-pecuário, inclusive, a contabilidade é um imperativo para bem controlar as atividades e os resultados, seja uma grande propriedade, um minifúndio ao estilo catarinense, ou até mesmo um fundo de quintal. Onde quer que alguém explore alguma atividade produtiva, a contabilidade será uma ferramenta da maior importância para colocar em destaque como as operações estão se desenvolvendo e qual o custo dos itens produzidos.

Tomemos como exemplo uma empresa agropecuária, que bem poderá ser uma granja avícola e de suínos, uma produtora de hortaliças ou uma grande plantação de soja. É compreensível que, nessas condições, nossa empresa tenha suas atividades setorizadas (ou departamentalizadas), compreendendo atividade-meio e atividades-fim. Assim teremos os setores de apoio – como mecanização rural (tratores, grades, arados, etc.), irrigação (bombas e tubulações), transportes, oficinas (manutenção) e outros acaso necessários – e os setores mais especificamente ligados às atividades-fim, que serão as explorações agro-pecuárias. Nessas condições, esses setores serão tantos quantas forem as explorações. Assim poderemos ter a exploração agrícola, pecuária, avícola, suinícola, etc. A exploração pecuária precisa ser subdividida em corte, leite, produção de matrizes e reprodutores, etc. A exploração agrícola deverá destacar as espécies trabalhadas, como tomate, pimentão, cenoura, soja, arroz, milho, feijão, etc.

Todos os insumos utilizados em cada exploração deverão ser apropriados na respectiva conta, ou grupo de contas. Assim, as sementes, adubos, mudas e os fertilizantes e defensivos utilizados na lavoura de soja serão separados dos utilizados na lavoura de feijão, de milho ou de hortaliças. Cada atividade terá seus custos destacados das demais, de modo que uma não poderá se misturar com as outras. De igual modo, cada exploração agrícola utilizará diversos serviços de apoio, como mecanização, transporte, irrigação, etc. O custo desses serviços será rateado pelas explorações que os utilizaram, na proporção da utilização. Cada exploração pecuária, ou avícola, ou suinícola, utilizará insumos que lhes são própria, como vacinas e medicamentos diversos, ração, materiais de embalagem, etc. O somatório de todos os custos em determinado período indicará quanto custou a produção obtida.

A divisão do total dos custos pelo total de unidades produzidas – toneladas de soja, ou de feijão, ou de hortaliças de determinada espécie – indicarão o custo unitário. Esse será o custo de produção para essa espécie, que poderá ser soja, feijão, milho, frangos de corte, ovos, suínos, etc. Nesse ponto o produtor saberá exatamente quanto lhe custou cada unidade produzida: cada tonelada de soja, ou de milho, ou de feijão, ou cada frango, cada peru, cada dúzia de ovos, etc. Se quiser avançar um pouco, poderá adotar o custo-padrão e aí, terá um outro elemento para analisar seus custos e confronta-los com sua realidade, não apenas os custos incorridos, mas também todas as mutações que ocorrerem no empreendimento.

O agricultor necessitará manter algum controle, no mínimo para atender às exigências do imposto de renda, separando as informações de forma ordenada, por espécie e por período. Será o caso, entre outros, das safras fundadas, quando os custos irão sendo acumulados desde um determinado ano e a produção só ocorrerá no exercício seguinte ou em exercícios futuros. Por exemplo, uma lavoura de café, ou de laranja, que necessitam de vários anos para a plena produção. Também será o caso de adiantamentos recebidos por conta de entregas futuras, como o exige a escrituração do livro caixa da atividade rural. As vendas também deverão ser contabilizadas segundo os itens de produção: venda de soja, de milho, de feijão, de hortaliças, de frangos, de ovos, etc. Também será possível desdobrar as vendas segundo os prazos de pagamento, podendo ser à vista, a prazo – e a diversos prazos – etc.

O confronto dos custos com os preços de venda obtidos no mercado indicará a viabilidade ou não de continuar determinada exploração. A decomposição dos custos em todos os seus elementos fornecerá instrumentos para uma análise profunda: se esses custos são ou não imprescindíveis à operação. De igual modo, conhecendo os custos o produtor rural poderá saber se os preços de mercado são atrativos ou se não estão sequer cobrindo o custo da ração ou do fertilizante utilizado, como tem sido praxe em nosso País, onde geralmente o agricultor paga para produzir. Mas, para saber quanto está pagando, nosso herói agro-pecuário precisará da contabilidade agrícola. Sem esse instrumento, ele continuará às cegas, trabalhando e perdendo dinheiro, sem saber aonde quer chegar. Ou se realmente quer chegar!

Autor: Carlos José Pedrosa

sábado, 9 de outubro de 2010

O risco da convergência contábil

É inegável que com a globalização, hoje tudo ficou interligado, tudo se interage, tudo se compartilha. Com o advento principalmente da Internet, as barreiras desapareceram, e o mundo parece tão pequeno.

Também, se analisarmos as empresas, veremos que as distâncias entre elas e o mercado não existem mais. No entanto, esta globalização tão importante para o desenvolvimento das nações, pode restringir, exterminar valores, ceifar culturas, e até desprestigiar ciências. A Ciência Contábil, caminha para este fim ao adotar os princípios internacionais de Contabilidade ditados pelo IASB((Conselho de Padrão Internacional de Contabilidade).

O saudoso Lopes de Sá, contrário a adoção destes princípios, fazia grandes e pesadas críticas à forma como tais princípios foram impostos ao mundo inteiro. Para ele a “Contabilidade foi “usada”, como continua sendo, para a maquiagem dos balanços nas constantes curvas das cotações dos títulos nas Bolsas de Valores”.(Lopes de Sá, Fraudes Contábeis e Mercado de Capitais, artigo ,27 de Outubro de 2009).

Seguindo o raciocínio do saudoso mestre, alerto para o fato de que, a contabilidade por ser a Ciência que tem como objeto o patrimônio das instituições, não surgiu da noite para o dia. Ela é uma das Ciências mais antigas do mundo. E ainda, o que faz da Contabilidade algo envolvente é o fato dela se adaptar às mais variadas formas de tecnologia. Porém é evidente que Princípios e Normas são a essência de toda e qualquer Ciência, daí a necessidade de preservá-los.

Em contrapartida, o que propõe o IASB é algo ilógico e dotado de uma periculosidade sem medidas para as empresas e também para o mercado de capitais. Vale dizer ainda que a Contabilidade é quem diz a evolução do patrimônio das instituições. É ela quem informa sobre a real situação das mesmas, sempre em tempo hábil e com um peso de credibilidade muito grande, pois é esta Ciência que escritura, registra,avalia, e o que é o mais importante; ela informa. Só ela consegue fazer isto com a credibilidade que o mercado e os investidores exigem.

Se olharmos no passado recente, veremos que nosso mestre Lopes de Sá estava certo em desferir críticas aos princípios propostos pelo IASB. Notaremos que a grande crise que assolou o mundo e levou o caos aos mercados norte-americanos em 2008 foram justamente a manipulação de balanços a os facetes contábeis usados para enganar os investidores. E tudo isto para satisfazer um número pequeno e seleto de investidores que usaram da fraude para satisfazer aos anseios de um Capitalismo desordenado e globalizado.

Todavia, devemos entender ainda que cada nação é diferente e deve seguir seu curso próprio de desenvolvimento.Isto se aplica também às normas contábeis, desde que estas preservem a essência dos princípios que embasam a Ciência da Contabilidade. É até louvável que se busque uma uniformização das demonstrações contábeis, contudo, se faz necessário adotar modelos que não venham transformar a contabilidade e nem a nós contadores em grandes forjadores e manipuladores de demonstrações contábeis.

Aqui no Brasil, a Lei 11.638/07 que em tese manda adotar os padrões internacionais de contabilidade, peca em objetividade e clareza, pois ela fala em adotar aqueles padrões que em geral estão sendo aplicados. No entanto, os padrões do IASB anda não são unanimidade e nem estão sendo aplicados no mundo todo. Daí, o Risco de se adotar tais princípios, pois, além de quedarem por certos princípios que em nada primam pela técnica, pelo zelo, e pela fidedignidade das informações contábeis, ainda podem deturpar a imagem da contabilidade enquanto Ciência que tem como compromisso a clareza e a transparência nas suas demonstrações. O mundo globalizado precisa de demonstrações contábeis dotadas de rigor técnico e de confiabilidade, ensejando a manutenção da essência contábil em toda sua plenitude.

Autor: Luiz Antonio Pinheiro

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Contabilistas vivenciam nova prática profissional


O ano de 2010 marca o aniversário de 65 anos da criação do primeiro curso superior em Contabilidade, comemorado ontem. O momento é de significativas mudanças do setor no Brasil na opinião de profissionais da área. Dentre os fatores responsáveis pela alteração no trabalho e no perfil do profissional contábil, protagonizam essa mudança a convergência dos parâmetros técnicos contábeis e o Sistema Público de Escrituração Digital (Sped), os quais foram efetivados com mais intensidade no ano corrente. "Na necessidade iminente de uma Economia globalizada, nós vivemos esse momento de internacionalização, que leva países a convergirem e se alinharem para facilitar as suas contabilidades", declara o contador e advogado tributarista José Carlos Fortes.

A obrigatoriedade de parte dos parâmetros técnicos contábeis foi instituída no começo de 2010 e José Carlos conta que foi a partir da criação da organização internacional não governamental e sem fins lucrativos IASB (International Accounting Standard Board), em 2001, que a convergência entre as normas técnicas utilizadas pelos profissionais do setor passou a ser pensada dentro da área em um patamar internacional. No Brasil, de acordo com ele, o marco foi a criação do Comitê de Pronunciamentos Contábeis pela Conselho Federal de Contabilidade, em 2005, o qual veio a publicar interpretações, pronunciamentos e orientações técnicas e sobre a área contábil internacional elaboradas pelo IASB.

"Esse é um trabalho constante de aprimoramento da nova forma de fazer contabilidade", afirma. De acordo com ele, a utilização das mesmas regras na profissão ajuda as empresas, principalmente as que atuam em mais de um país, "na redução de riscos com os investimentos, na facilidade em comunicação entre os países em relação aos negócios de uma maneira em geral". "O que for apurado aqui no Brasil, vai ser de igual modo no exterior", garante.

Capacitação fundamental

Diante do novo cenário que surge na profissão e que é necessária para o enquadramento do profissional no mercado, o presidente do Conselho Regional de Contabilidade no Ceará (CRC), Cassius Coelho, destaca a capacitação como a principal alternativa para os futuros e os antigos contadores. "Na realidade, o mercado tem exigido do profissional contábil o que antes não exigia. Ele está migrando de uma Ação mais burocrática para outra que tem importante atuação na gestão das empresas", avalia Cassius. Para Cassius, o profissional contábil tem de investir em sua qualificação e capacitação e, com isso, agregar conhecimentos externos à contabilidade, aumentando o valor do seu trabalho. Ele ainda declara que, nos eventos promovidos pelo CRC-CE.

Perspectiva

"O contador está migrando de uma Ação burocrática para uma Ação de gestão."

Cassius Coelho
Presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Ceará

"É um trabalho constante de aprimoramento da forma de fazer contabilidade"

José Carlos Fortes
Contador e advogado

Fonte: Diário do Nordeste

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Seis normas tributárias são editadas por hora


Ontem a Constituição Federal do Brasil, de 1988, completou 22 anos da promulgação, ou seja, de início de validade. Para comemorar a data, o Instituto Brasileiro de Direito Tributário (IBPT) divulgou um estudo sobre o número de “remendos” feitos a ela, com vistas à regulamentar a cobrança de novos tributos. Durante os 22 anos de vigência da Constituição Federal foram editadas 269.124 normas tributárias, ou seja, quase seis normas por hora, tendo já ocorrido 13 reformas constitucionais em matéria tributária. A conta não considera os inúmeros tributos criados como CPMF, Cofins, Cides, CIP, CSLL, PIS Importação, Cofins Importação, ISS Importação que regem a vida dos cidadãos brasileiros.

Se considerar as normas gerais, o número passa a casa dos milhões. Foram mais de 4,15 milhões de normas gerais, resultando em 517 normas editadas por dia corrido ou 774 normas por dia, se considerados apenas os dias uteis. Do total de 4.155.915 normas gerais editadas nos 22 anos da atual Constituição Federal, 541.100 (13,02%) estão em vigor, enquanto que das 249.124 normas tributárias editadas neste período, o número chega a 18.409 (7,4%).

Segundo o coordenador de estudos do IBPT, Gilberto Luiz do Amaral, a legislação brasileira é um emaranhado de temas. “É um conjunto desordenado de assuntos, tornando praticamente impossível que o cidadão conheça e entenda o seu conteúdo”, diz.

Desde a promulgação foram editadas 154.173 normas no âmbito federal, uma média de 19,19 por dia ou 28,72 normas federais por dia útil, enquanto os estados editaram 1.095.279 normas, o que dá 5,05 norma por dia ou 7,56 norma por dia útil. Já os municípios são responsáveis pela edição de 2.906.463 normas, considerando que existem 5.567 municípios no Brasil, cada um deles editou, em média, 522,09 normas neste período.

Do total de normas editadas no Brasil nestes 22 anos, cerca de 6% se referem à matéria tributária. São 28.591 normas tributárias federais (11,5% das normas tributárias), 83.516 normas tributárias estaduais (33,5% das normas tributárias) e 137.017 normas tributárias municipais (55% das normas tributárias). Em média foram editadas 31 normas tributárias por dia ou 1,3 norma tributária por hora e 46 normas tributárias por dia útil ou 5,8 normas por hora útil.

Do total de 4.155.915 normas gerais editadas, 13,02% ou 541.100 estão em vigor. E das 249.124 normas tributárias editadas, 7,4% ou 18.409 estão em vigor atualmente.

Hoje as empresas devem cumprir 3.422 normas, ou 38.429 artigos, 89.540 parágrafos, 286.296 incisos e 37.660 alíneas, ou o equivalente a 5,9 quilômetros de normas tributárias, acaso impressas em papel A4. Em decorrência desta quantidade de normas, as empresas gastam cerca de R$ 42 bilhões por ano para manter pessoal, sistemas e equipamentos no acompanhamento das modificações da legislação.

Fonte: Bem Paraná

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

O momento certo de optar pela tecnologia contábil


A Tecnologia da Informação (TI) está revolucionando a área contábil. Com a criação de ferramentas específicas para o setor, os escritórios e profissionais passam a ter acesso a benefícios que podem ajudar a ampliar seu alcance no mercado, reduzir custos e utilizar recursos inovadores nas atividades. Têm a oportunidade de fortalecer suas aptidões, de obter conhecimento especializado. Integrando sistemas, é possível focar na criação de soluções inovadoras e manter a competitividade. Quem ganha com isso é o cliente final.

Um exemplo é a parceria entre a CustomBS e Decision IT, que trabalham com um sistema de gestão integrada do varejo associado à organização das empresas para adequação ao Sped fiscal e tributário. A ênfase dada pelos profissionais da área de Contabilidade para a organização da informação dentro da rede de lojas fez com que a CustomBS optasse pela implantação do Sped e pelas demais novidades trazidas pelo sistema fiscal e tributário. 

Com a prática, a empresa visualizou que a geração de conhecimento e gestão das informações são fatores principais para a tomada de decisão. A CustomBS passou a desenvolver sistemas adequados às necessidades do varejo e customizadas na medida certa para cada segmento de mercado. A Decision IT atestou a prática em alguns de seus clientes. Por exemplo, na adequação da rede de lojas Lebes, o trabalho executado pela CustomBS facilitou e agilizou a implantação do projeto de adequação ao Sped e à NF-e, feito pela Decision. 

Há mais de 15 anos, o sistema de gestão da CustomBS controla todos os processos, dados e informações da Lebes, rede com mais de 100 lojas no Rio Grande do Sul. Isso contribuiu para que o projeto atingisse a marca de mais de 1.700 arquivos gerados, validados e auditados, entregues à Receita Federal no formato Sintegra em apenas 45 dias. "As alianças estratégicas possibilitam diversificar os negócios e ampliam as competências", afirma Flávio Luis Piccolo Ferrer, sócio-diretor da GDR7 IT Solutions, empresa desenvolvedora de sistemas. 

Acabar com o retrabalho também é um problema resolvido com o uso da tecnologia. Isso ocorre porque os dados são armazenados de forma mais correta, já que as novas normativas impõem a utilização de softwares que auxiliam na organização fiscal e contábil. De acordo com Luis Gustavo Masiero, diretor-executivo da CustomBS, a gestão integrada auxilia no controle interno da empresa na medida em que compila um conjunto de processos complementares. "Se hoje a empresa não tiver um software robusto, ela não consegue alcançar todas as exigências da lei, já que é totalmente inviável atender a toda legislação sem um software de ponta", afirma. 

Masiero defende a opinião de que cada empresa deve buscar soluções tecnológicas personalizadas de acordo com as suas necessidades. "É preciso jogar os diferenciais de cada empresa para dentro da solução", afirma. 

No ramo do varejo, por exemplo, a rotatividade de produtos e serviços é muito grande, e o fato determina que as informações também rodem com a mesma agilidade. "Enquanto no setor da indústria há planejamento, no varejo os dados são demandados para ontem", explica. Como a movimentação de informações é intensa, sem a ferramenta de gestão adequada, não se consegue avançar. Mas em outros ramos, quem decide investir na informatização não pode ter pressa em relação ao retorno. 

Geralmente, no curto prazo, muitas dificuldades aparecem, pois as empresas não estão preparadas. "O começo é traumático. Parece que o trabalho é extremamente improdutivo", afirma Masiero. No médio e longo prazo, contudo, os resultados melhoram e o sistema torna-se organizado e automatizado. 

Uma das questões que dificultam a vida dos usuários, na visão de Masieiro, é a orientação por meio dos manuais de integração de alto nível de complexidade e grande volume de dados. Para ele, a setorização das informações disponibilizadas pelo governo facilitaria a compreensão e ajudaria a desburocratizar o acesso. "Se a Receita liberasse para cada setor efetivamente aquilo que lhe compete, talvez facilitasse o trabalho de todos os envolvidos." 

Maior desafio é ingressar no mundo eletrônico

Uma das maiores barreiras a ser transposta pelo fisco, a informatização dos sistemas contábeis e fiscais já é uma realidade na história das contas públicas. Agora, as novas ferramentas apresentadas pela Receita Federal aos usuários são processos que se incorporam àquilo que a entidade já vem buscando há muitos anos. No atual grau de avanço, resta o desafio de investir em expansão da capacidade da rede e mobilizar os contribuintes para que acompanhem essa evolução. A projeção é que se alcance uma dimensão tal que o uso do papel nos procedimentos fiscais e contábeis será parte do passado. "Há 15 anos atrás, a declaração do IR era impressa, depois foi em disquete e agora é uma unanimidade ser feito na internet", diz Marisson Sant'Anna de Souza, chefe da Divisão de Tecnologia da Informação da Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil. Mas a tomada de decisão para o ingresso e migração total para a era digital ainda parece ser a principal dificuldade, na visão de Souza. "Entendemos que esse desafio não é um problema, mas uma solução, pois é um investimento que rapidamente se paga". 

Atualmente, segundo o cadastro da Receita, 290.278 mil empresas já utilizam a Nota Fiscal Eletrônica. Dessas, já foram emitidas até hoje cerca de 1 bilhão 433 milhões 223 mil 847 notas, representando R$ 31,5 trilhões. Esse número por si só já mostra o grau de adesão à escrituração digital (fiscal e contábil) desde que a mesma entrou em vigor, em 2008.

O chefe da Divisão de TI da Superintendência Regional da Receita relembra que há situações de adesão voluntária e obrigatória, mas que muitas instituições aderem voluntariamente em função da redução de custo que a medida representa. As situações de obrigatoriedade variam de acordo com o porte da empresa e setor de atividade econômica, atingindo até hoje 93 ramos da economia. Quem define a obrigatoriedade é o Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz). 

A Receita Federal participa do grupo GT 48, no qual se reúnem diversos entes interessados no assunto para debater e analisar as principais mudanças no setor. Coordenado pela Comissão Técnica Permanente do ICMS (Cotepe - Confaz), o grupo trata sobre a NF-e e a escrituração digital - processos que contam com a colaboração das diversas esferas do poder público. "Não só a Receita Federal ou Estadual, mas diversos órgãos estatais, municipais, federais e empresas de tecnologia da informação estão construindo uma solução de interesse da sociedade, dos contribuintes e da administração tributária", explica.

Escrituração digital tem muito a avançar

O velho hábito brasileiro de deixar as resoluções para a última hora e ignorar a necessidade de planejamento é responsável por muitas instituições ainda não terem engrenado na era da digitalização contábil. O diretor comercial da Decision IT, Rogério Negruni, dá algumas dicas para quem se enquadra nessa situação.

O primeiro passo é identificar que a responsabilidade pela integração dos sistemas é da controladoria e da contabilidade, e não da área de TI. "O empresário espera uma resposta do pessoal da informática, mas é a contabilidade quem tem que acionar o suporte". A segunda dica é não ficar à mercê de seu sistema de gestão e esperar soluções prontas. "Você tem que liderar a solução, entender o que o governo está pedindo e construir o sistema de gestão junto aos fornecedores".

Faz parte do processo testar softwares, alterar processos, treinar pessoas. Um terceiro conselho é que o processo evolutivo não acaba agora: outras mudanças vêm nos anos sequentes, e é necessário saber que esse é só o começo. Esse é, na opinião de Negruni, um diferencial do projeto Sped. "Ele está sempre avançando. Às vezes, prorroga algum prazo, mas até agora não houve nenhum grande revés."

O atendimento ao Sped pode se tornar uma grande oportunidade de melhoria de gestão. As companhias têm que refinar o controle de custos, produção, mercadoria, além de trabalhar com apuração de margem. Como o fisco passa a ser detalhista, pedindo item a item, as empresas passam a acompanhar essa exatidão. E para atingir essa máxima, a procura por ajuda é enorme. 

No caso da Decision IT, o suporte é oferecido em três estágios. Primeiro é feito um diagnóstico de sistemas, para ver como está a infraestrutura. Depois, verifica-se a extração dessas informações, por meio da leitura desses arquivos digitais. E por fim, é feita a auditoria dessas informações, de forma automática pelo software. As regras de validação vêm embutidas, fazendo uma espécie de auditoria cruzada, com o objetivo de dar segurança para as informações finais.


Fonte: Jornal do Comércio

terça-feira, 5 de outubro de 2010

De contador e louco todo mundo tem um pouco


Todos nós, ao menos uma vez na vida, já nos aventuramos ao “nobre ofício” de dar opinião, parecer ou coisa semelhante, sobre assuntos relacionados à profissão alheia.

Na hora de escalar a seleção brasileira, todos têm a lista na ponta da língua, e, nunca é igual à do técnico, que geralmente “não entende de futebol”. Ficou doente, é só falar com o vizinho e lá vem ele com uma receita pronta, que já serviu ao amigo do amigo e, pasmem, funcionou – os sintomas são sempre parecidos. 
Hoje em dia, com a internet à disposição, o paciente já chega ao consultório com o diagnóstico pronto e a medicação indicada – e haja paciência ao pobre do médico que tem de escutar a ladainha e explicar que apesar de os sintomas serem parecidos, a sua doença não é igual à do amigo do amigo do vizinho.
Pois bem, citei os exemplos acima como forma de mostrar que esse mal atinge também a nós contadores, ou seja, o cliente querendo se “automedicar”.

Nossa legislação tributária é muito complexa e onerosa para as empresas, o que acaba levando muitos empresários a uma busca incansável por uma fórmula mágica que o ajude a reduzir o peso dos impostos gerados por sua empresa – o chamado planejamento tributário. O problema é que, nessa busca incansável, eles acabam, muitas vezes, ouvindo os “amigos contadores”, - que acreditam que sabem tudo - e repassando suas “receitas mágicas” aos quatro ventos.

Vejo que alguns colegas não conseguem lidar muito bem esse tipo de questionamento, podendo até mesmo gerar conflitos desnecessários na relação: contador/cliente. Na maioria dos casos, quando o cliente o questiona sobre outras formas de tributação ele não o faz com má intenção, mas sim como uma maneira de interagir e mostrar-lhe que está interessado em melhor entender essa colcha de retalhos que é a nossa legislação tributária.

Um dos questionamentos mais comuns, principalmente por parte de pequenos empresários, é sobre a viabilidade de alterar a tributação de sua empresa para o Lucro Real. Os argumentos são os mais variados: “Ah, mas eu tenho muitas despesas”, “Minha empresa só dá prejuízo”, “O fulano mudou e disse que o imposto diminuiu bastante”. Isso só para citar alguns argumentos.

Nesse momento é que você deve mostrar que tem o controle da situação tributária da empresa de seu cliente. Por exemplo, aquele que alegou que “Minha empresa só dá prejuízo”, geralmente é o que mais faz retirada de caixa da empresa para pagamento de despesas pessoais – acima de sua capacidade -, o que lhe dá a falsa impressão de que ela é deficitária, quando na realidade é lucrativa, e, analisando friamente, “assaltada” pelo próprio sócio.

É claro que existem as exceções, mas somente o profissional habilitado será capaz de identificar cada caso e definir quais as empresas sob sua responsabilidade podem optar por este ou aquele regime de tributação. 
Por mais que você sinta-se incomodado com alguns questionamentos - alguns bizarros -, não deve ignorar e desprezar as dúvidas do empresário. Deve sim, é aproveitar esses momentos de “reflexão filosófica” e ajudá-lo a entender melhor os mecanismos de tributação existentes e de como a sua empresa está inserida nesse contexto. Você pode fazer pequenas simulações para que ele consiga visualizar a diferença nas formas de tributação existentes: Lucro Real, Presumido e Simples Nacional, pois às vezes não basta falar que está aplicando a melhor forma de tributação para a sua empresa, você precisa mostrar, e a única maneira de fazer isso é através de números e gráficos.

É claro que para tudo existe um limite, e, quando o empresário rejeita todos os argumentos por você apresentados, talvez seja hora de sugerir-lhe que procure outro profissional para atendê-lo, antes que ocorra algum atrito mais sério. Pense nisso, e, principalmente, não enlouqueça!

Autor: Isaac Rincaweski

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

CFC regulamenta o Exame de Suficiência



O Conselho Federal de Contabilidade publicou, dia 28 de setembro, no Diário Oficial da União, a Resolução CFC 1.301/2010 que regulamenta o Exame de Suficiência como requisito para obtenção ou restabelecimento de Registro Profissional em Conselho Regional de Contabilidade (CRC).

O texto complementa as considerações dispostas no art. 12 do Decreto-Lei nº 9.295/46, com redação dada pela Lei nº 12.249/2010, que prevê aos profissionais contábeis a necessidade de concluir o respectivo curso superior, reconhecido pelo Ministério da Educação, e a aprovação em Exame de Suficiência com posterior registro no Conselho Regional de Contabilidade, para fins de exercer a sua profissão de forma regulamentada.

O Exame de Suficiência é a prova de equalização destinada a comprovar a obtenção de conhecimentos médios, consoante os conteúdos programáticos desenvolvidos no curso de Bacharelado em Ciências Contábeis e no curso de Técnico em Contabilidade.

De acordo com a Resolução:

O Exame será aplicado duas vezes ao ano, em todo o território nacional, sendo uma edição a cada semestre, em data e hora a serem fixadas em edital;
O candidato será aprovado se obtiver, no mínimo, 50% dos pontos possíveis.A aprovação em Exame de Suficiência, como um dos requisitos para obtenção ou restabelecimento de registro em CRC, será exigida do:

1. Bacharel em Ciências Contábeis e do Técnico em Contabilidade;
2. portador de registro provisório vencido; 
3. profissional com registro baixado há mais de dois anos, e
4. Técnico em Contabilidade em caso de alteração de categoria para Contador. 

O Exame de Suficiência será composto de uma prova para os Técnicos em Contabilidade e uma para os Bacharéis em Ciências Contábeis, obedecidas às seguintes condições e áreas de conhecimentos:
I - Técnicos em Contabilidade: a) Contabilidade Geral; b) Contabilidade de Custos; c) Noções de Direito; d) Matemática Financeira; e) Legislação e Ética Profissional; f) Princípios de Contabilidade e Normas Brasileiras de Contabilidade; g) Língua Portuguesa.

II - Ciências Contábeis: a) Contabilidade Geral; b) Contabilidade de Custos; c) Contabilidade Aplicada ao Setor Público; d) Contabilidade Gerencial; e) Controladoria; f) Teoria da Contabilidade; g) Legislação e Ética Profissional; h) Princípios de Contabilidade e Normas Brasileiras de Contabilidade; i) Auditoria Contábil; j) Perícia Contábil; k) Noções de Direito; l) Matemática Financeira e Estatística; m) Língua Portuguesa. 

O portador de registro provisório ativo, obtido até 29 de outubro de 2010, terá seus direitos garantidos conforme a norma vigente no ato do registro.
O profissional apto para requerer o registro e aquele com registro baixado poderá efetuar ou restabelecer seu registro sem se submeter ao Exame de que trata esta Resolução, até a data limite de 29 de outubro de 2010.

De acordo com o vice-presidente de Registro do CRCSC, Adilson Pagani, consultas acerca do Exame de Suficiência poderão ser encaminhadas para o email suficiencia@cfc.org.br. A resolução Resolução CFC n.º 1.301/2010 encontra-se disponível no site do CFC, no linkhttp://www.cfc.org.br/sisweb/sre/Default.aspx.

Fonte: CRC-SC

domingo, 3 de outubro de 2010

Controladoria, visão multidisciplinar


Cada vez mais as organizações vêem adotando o departamento de Controladoria como uma “ferramenta” de gestão. Em muitas empresas ele é considerado um orgão de staff, ou seja, de assessoria e consultoria, fora da pirâmide hierárquica. Contudo, não é raro, vê-lo atuando também mais efetivamente no cotidiano.

Controladoria pode ser considerada tanto um segmento contabilidade como um ramo da administração. O que irá se destacar será o enfoque em que a empresa, através de seus gestores, vão querer para o departamento. Planejamento, definições e controles são algumas das premissas que o Controller terá que desenvolver.

Duas são as vertentes que garantirão o sucesso do controller: um excelente sistema de informação e uma visão multidisciplinar sobre o âmbito organizacional e de mercado. Mercado? Isso mesmo! Hoje, qualquer que seja a área de atuação dentro da empresa, é extremamente necessário observar o que está acontecendo no mercado. E isso não está restrito ao seu market share ou apenas em seu segmento de atuação, claro.

A Controladoria, enquanto área responsável por suprir as necessidades de informações dos gestores de uma organização, necessita de uma metodologia de trabalho que lhe permita desenvolver esta atividade da forma mais dinâmica e econômica possível. A essa metodologia de trabalho é dado o nome de processo de controle.

O processo de controle é um modelo de gestão voltado à abordagem sistêmica das organizações e diz respeito às atividades desenvolvidas pela Controladoria, necessárias à geração de informações para o processo de tomada de decisões. Tais informações são decorrentes do monitoramento e controle, prévio ou não, da performance dos diversos setores e sub-sistemas de uma organização.

Para finalizar, vale destacar:
- A qualidade do processo de controle será diretamente proporcional à qualidade do processo de planejamento;
- Apesar da complexidade existente nos procedimentos necessários à realização das atividades da Controladoria, estes procedimentos são aplicáveis em organizações de qualquer porte;
- A implantação de um processo de controle deve ser realizada de maneira a contemplar o monitoramento das principais variáveis de cada etapa do fluxo operacional da organização.

Autor: Raphael Ap. Guimarães

sábado, 2 de outubro de 2010

Afinal, o que é Controladoria?


A Controladoria é um segmento da Contabilidade ou da Adminstração, podendo ser dividida em Controladoria Administrativa e Controladoria Contábil, mas na prática profissional ambas costumam ficar sob a égide de um único gestor, chamado de controller ou controlador. É uma área de staff, ou seja de assessoria e consultoria, normalmente fora da pirâmide hierárquica da organização.

Com o aumento da competitividade, o avanço da tecnologia, a crescente exigência dos consumidores, entre outros fatores, houve uma mudança no paradigma das empresas exigindo delas uma permanente adaptação a esse novo ambiente.

Diante desse desafio, as organizações devem elaborar um adequado planejamento estratégico que atenda as novas necessidades dos stakeholders (clientes, fornecedores, acionistas, bancos e órgãos fiscalizadores) podendo trazer contribuições valiosas para que as decisões tomadas no presente apóiem as consequências geradas no futuro.

É na gestão dessas situações que está a controladoria, cuja missão é otimizar o processo decisório garantindo informações adequadas aos gestores em busca de uma eficácia gerencial, assegurando a continuidade do negócio da empresa. É importante que o controller conheça bem o ramo de atividade da organização, seus objetivos e metas, assim como também ter conhecimentos contábeis e administrativos. As funções do Controller são: Contabilidade, Fiscal, Financeiro, Custos, Planejamento Tributário, Previsão Orçamentária Anual (Budget), Planejamento Estratégico e Relatórios para tomada de decisões.

A metodologia da controladoria é baseada no processo de controle, através de padrões de qualidade previamente estabelecidos, focado no planejamento e orçamento traçados pela organização. Porém todos os membros da organização devem estar envolvidos, desde os níveis mais altos até os operacionais. Desta forma, a controladoria presta contribuições importantes ao progresso organizacional, possibilitando o equilíbrio da organização diante das dificuldades existentes no seu ambiente operacional.

Primeiramente a controladoria deve definir os padrões de controle e projetar os resultados com enfoque nos objetivos da organização. De modo que não haja excesso, desperdício ou roubo. Desta forma, o controller irá elaborar uma análise comparativa entre os resultados e os padrões de controle estabelecidos, obsevando os desvios, ou seja a diferença entre os resultados e os padrões. Após a verificação dos desvios, elabora-se uma análise da relevância, a fim de apurar se os desvios comprometem os objetivos da organização.

Existe uma classificação dos desvios de acordo com sua relevância (baixa, média e alta) e é através dessa classificação que a controladoria faz sugestões para possíveis soluções dos problemas identificados, repassando para os gestores devidos pela ocorrência do desvio, a partir desse momento, os mesmo são responsáveis pela tomada de decisão.

Contudo, a implantação do processo de controle requer uma mudança cultural no processo de gestão organizacional, é preciso que todos se adaptam a nova filosofia para ser bem sucedida.

Nos dias atuais é imprescindível para uma grande organização um serviço contínuo da controladoria, pois é o setor que detem todas as informações gerenciais da empresa. Planejando, organizando, controlando e dirigindo todos os risco e custos , de forma a maximizar o lucro para garantir o sucesso da mesma.


Autora: Ariane Pereira Gonçalves

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

"Contabilidade criativa" é a herança fiscal de Lula deixada para o próximo governo

     Está em construção um problema fiscal que poderá estourar no próximo governo. Não há deterioração da solvência fiscal, mas há piora sistemática da transparência e das regras fiscais, com o uso de artificialismos, na contabilidade pública.

     Tais mudanças acabarão por invalidar as informações prestadas pelo "cumprimento" ou "não cumprimento" da meta fiscal, que é o compromisso fixado pelo governo todos os anos para o superavit primário -diferença entre o que arrecada e o que gasta (exceto os juros).

     Segundo o Banco Central, o resultado primário do setor público consolidado (composição dos resultados do governo central, de empresas estatais e de governos estaduais e municipais) totalizou R$ 5,2 bilhões em agosto, abaixo da nossa projeção, que apontava R$ 7,3 bilhões.
     Na desagregação, o governo central ficou com R$ 3,5 bilhões, os governos regionais com R$ 1,3 bilhão e as empresas estatais com R$ 500 milhões.
    Em relação às expectativas, tanto governos regionais como estatais foram inferiores. Já o governo central ficou abaixo do resultado divulgado nesta semana pelo Tesouro (diferença de R$ 500 milhões), mas apenas por uma questão de metodologia do cálculo do superavit primário pelo Banco Central e pela referida instituição.
     Os resultados mostram que o total acumulado em 12 meses, que foi 2,01% do PIB, representa patamar 1,29 ponto percentual do PIB inferior à meta fiscal fixada para o ano (3,3% do PIB).
     Também a análise do acumulado no ano mostra situação totalmente desajustada à meta, com o total de 2,07% do PIB verificado até agosto.
     Em última análise, seguimos com nossa projeção de esforço primário de 2,6% do PIB, abaixo da meta oficial.
     Com as divulgações da Secretaria do Tesouro, porém, e da MP nº 505, que autorizou novo crédito de até R$ 30 bilhões ao BNDES, este que será usado para comprar ações da Petrobras que, por sua vez, repassará o dinheiro ao Tesouro, o governo poderá certamente anunciar o cumprimento oficial da meta.
     Em outras palavras, "vai cumprir sem ter cumprido", conduzindo a uma piora da transparência e da relevância da informação prestada pela meta. Esse é o novo padrão fiscal que será legado ao próximo governo, pautado por uma política fiscal menos transparente e mais frouxa -a consolidação da "contabilidade criativa".

Folha de São Paulo - 29/09/2010